quinta-feira, 4 de julho de 2013

Só Tenho Olhos para Você (Capítulo 3)





***

Trinta minutos mais tarde, depois de Mari e Jackie ajudarem Lua a colocar o vestido de madrinha sem estragar o cabelo nem a maquiagem, Mel entrou na sala e olhou chocada para Lua.
— Caramba, o que fizeram com a minha irmã?
As duas não vinham se dando muito bem no último ano. Lua odiava o jeito como Mel deixava aquele idiota que namorava em segredo passar por cima dela. Todo mundo via sua gêmea como atirada e destemida, mas Lua sabia que Mel simplesmente conseguia esconder as emoções melhor do que o restante deles.
Cada vez que Lua tentava abordar a situação, a irmã bloqueava cada vez mais de sua vida. Mel era mestra em tiradas sarcásticas e secas, como Lua sabia muito bem, e tinha sido atingida vezes demais nos últimos meses. No entanto, apesar de tudo o que acontecera entre elas durante o último ano, ela amava a irmã. Como não poderia, quando sempre foram as metades de um todo?
E esse dia era um daqueles que Lua precisava de sua gêmea, da outra metade que entenderia tudo automaticamente, no nível do DNA, para dar-lhe segurança.
No afã do momento, quando tomara a decisão de sacudir um pouco das coisas, o fato de Mari e Jackie a produzirem parecera dar-lhe poder. Mas, para alguém como ela, que sempre ficava feliz em desaparecer na multidão, esse cabelo e essa maquiagem eram uma distância muito grande do seu verdadeiro eu.
E se as pessoas rissem dela?
E se Arthur risse dela?
Ela morreria. Ah, sim, bem ali no meio daquele dia especial de Chloe e Chase, na frente de 300 pessoas, cairia seca e morta no chão.
Mel chegou mais perto e fez uma volta completa ao redor da irmã, observando-lhe o vestido de cetim tomara-que-caia cor-de-rosa. Lua fora a última a encontrar Chloe no loja de noivas para escolher o vestido de madrinha. Ainda que fosse definitivamente mais conservador do que o de Mel, Lua esquecera-se de quanto o cetim caía bem em suas curvas, mais justo do que qualquer outra coisa que tinha, com certeza. Era um estilo clássico de estrela de cinema, a la Marilyn Monroe no vestido de “Feliz Aniversário, Sr. Presidente”, com uma fenda profunda subindo por uma das pernas.
Por fim, Mel disse:
— Você está maravilhosa, Luinha.
Lua respirou profundamente, aliviada.
— Graças a Deus.
— Se bem que — Mel continuou com a testa levemente franzida — não está parecendo muito você. — A expressão ficou mais acentuada.  A Mari convenceu você a usar algo novo?
— A maquiagem foi ideia minha. E o cabelo também.
Mel franziu o cenho novamente.
— Não consigo entender. Você nunca quis experimentar nada novo antes.
Lua forçou um balanço dos ombros, como se não se importasse se a irmã a compreendia ou não. Mesmo que se importasse, e muito.
— Só queria ver como seria parecer um pouco diferente por um dia.
— Humm. — Mel analisou=a novamente, da cabeça aos pés, e Lua soube que sua irmã descobriria a verdade naquele exato momento. — Ah, não. Não me diga que vai tentar conquistar o A...
Lua pulou em direção à irmã para cobrir os lábios de Mel com a mão antes que o nome de Arthur pudesse sair. Gostaria de dizer a Mel que sua transformação não tinha nada a ver com ele, mas não podia mentir para sua irmã gêmea.
— Sei o que estou fazendo.
Mel balançou a cabeça, arrancando a mão de Lua de ciam de sua boca.
— Você não faz a mínima ideia do que está fazendo. Eu adoro o A...
— Mel!
— ... como um irmão, mas isso não quer dizer que não veja os pecados dele, Luinha. Principalmente quando o assunto é mulher. — Mel olhou-a com firmeza. — Não faça isso.
Ela nunca pensara em admitir isso a ninguém, nem mesmo à sua irmã, mas agora pegou-se dizendo:
— Você não sabe o que é ser invisível. — Instintivamente, ergueu o queixo e empinou os ombros. — Estou cansada disso. — Queria que sua irmã gêmea entendesse, mas, em vez disso, Mel disse:
 Você adora me dizer quando estou fazendo besteira. — Lua tentou protestar, mas a irmão colocou as mãos nos ombros dela e a fez virar-se para o espelho. — Desta vez, é você quem precisa ouvir. Não faça isso, Luinha. — Mel apertou os ombros dela. — Não. Faça. Isso.
Lua encarou a mulher incrivelmente sexy refletida no espelho: nunca teria conseguido fazer isso sem ajuda profissional.
Era agora ou nunca.
— Preciso fazer isso.
Mel parecia séria e preocupada, como Lua jamais vira.
— Os garotos não vão se aguentar ao ver você desse jeito. Quer dizer, eles estão acostumados a me verem tirar vantagem do visual, mas você... nem pensar. Não vão gostar nem um pouco disso.
— Azar deles.
Finalmente, Mel quase sorriu, mas então perguntou:
— O que vai acontecer se seu tiro sair pela culatra?
O coração de Lua fraquejou ao pensar nas muitas coisas que poderiam sair erras com relação a seu brilhante plano de ensinar uma lição a Arthur por ignorá-la durante todos esses anos. Mesmo assim, achou-se confiante e segura quando respondeu à irmã:
— Não vai sair pela culatra.
E, mesmo ainda sentindo o calor das pontas dos dedos de Arthur onde ele havia lhe tocado o rosto, ela disse a si mesma que essa era a verdade. Pois se havia uma coisa que todo mundo sabia sobre Lua Blanco era que ela nunca, jamais, mentia. A ninguém.
E, certamente, não para si mesma.
Ellen, a gerente da vinícola de Marcus, que havia ajudado Lua com muitos detalhes do casamento, enfiou a cabeça na porta do quarto.
— Está na hora de dar nosso adeus à noiva. Vocês duas estão lindas. — Ela levou uns dois segundos a mais olhando para Lua, com uma leve expressão surpresa no rosto, antes de dizer: — Na verdade, mais do que lindas. Estão prontas?
O coração de Lua saltou no peito ao pensar em sua entrada triunfal. Claro que não estava pronta... mas aquilo era o máximo que conseguiria estar.
Ela juntou-se a Mel, a Sophia, namorada pop-star de Marcus, a Megan, namorada de Gabe, e às duas outras madrinhas, antigas amigas de Chloe, no pórtico. Como madrinhas principais, Lua e Mel decidiram no joquempô qual das duas entraria primeiro com Marcus, o Blanco mais velho.

Lua tinha certeza de que Mel trapaceara. Sempre fazia isso.  No entanto, agora ela estava feliz por não ser a primeira a entrar. Melhor ainda era ter Chay como parceiro caminhando pelo corredor com ela. Esperava que todos ficassem babando sobre o astro de cinema, pelo menos tempo suficiente para que se acostumasse um pouco melhor à sua nova persona de deusa sexy.

***

Como Mel previra, os irmãos pararam e ficaram embasbacados diante dela ao caminharem até o pórtico. Infelizmente, a surpresa virou cara feia em questão de segundos.
— Lua?
A expressão dos rosto de seu irmão mais velho parecia anunciar uma trovoada, e ela teve que se forçar a manter os pés firmes no chão na frente de Marcus, em vez de recuar e sair correndo de volta para dentro, para limpar a maquiagem do rosto e pentear seu cabelo escovado e brilhante de volta ao estilo a que todos estavam acostumados.
— Que diab...
Sophia colocou a mão no antebraço de Marcus bem a tempo.
— Ei, bonitão — ela brincou. — Ouvi dizer que você é o dono dessa espelunca.
Graças a Deus que Marcus não tinha forças para resistir à sua namorada de tirar o fôlego, especialmente quando ela, na ponta dos pés, cochichou alguma coisa no ouvido dele e o fez puxá-la para um canto escondido do pórtico e beijá-la.
Lua fez uma anotação mental para, no futuro, retribuir à altura de Sophia pelo que acabara de fazer. Talvez um novo e-reader já recheado de livros para serem lidos durante as longas horas em turnê?
Por azar, Gabe estava logo atrás e perguntou:
— Por que está usando toda essa maquiagem, Luinha?
Megan, que tinha se tornado uma das amigas mais íntimas de Lua depois que as duas haviam se reencontrado alguns meses atrás, deu um olhar cúmplice à amiga antes de entrar na frente de Gabe.
— A Summer precisa de ajuda com a cestinha de pétala de flores. Está chamando você, Gabe.
O irmão bombeiro de Lua tinha se apaixonado loucamente pela amiga dela e sua filhinha, depois de salvá-las de um incêndio perigoso. Ele não tinha a menor chance de continuar prestando atenção no que quer que fosse que Lua estava aprontando quando a filhinha de 7 anos de Megan precisava dele.
Era uma pena que Ryan, Micael e Chay não tivessem namoradas no pórtico para distraí-los. Ryan olhava de Lua para Mel.
— Vocês duas não vão fazer aquele negócio de gêmeas trocadas de novo, vão? — disse ele.
Micael parecia totalmente confuso.
— Se estiverem aprontando alguma, é melhor eu nem saber. — Então, continuou: — Juro por Deus, Boazinha, se alguém só olhar para você atravessado, vou arrebentar a cabeça do cara no chão até virar adubo para o vinhedo de Marcus.
— E se alguém olhar para mim? — Mel perguntou, parecendo afrontada, obviamente tentando tirar a atenção dos irmãos de sua irmã gêmea.
— Você sabe se cuidar — ele respondeu.
— Eu também sei — Lua advertiu.
— Até parece — Chay retrucou.
O segundo irmão mais velho dela, que por acaso era um dos maiores astros de cinema do mundo, a observava em silêncio. Apesar de serem como a água e o vinho, ele sempre fazendo sucesso sob os holofotes e ela querendo se afastar disso o máximo possível, Lua sempre fora especialmente próxima de Chay.
Ele pegou na mão dela.
— Vamos ensaiar nossa caminhada pelo corredor.
Lua estava tão atormentada pelos irmão que só naquele momento percebeu quem estava faltando.
— Onde está o Arthur?
— Ele teve uma emergência com as bebidas — Chay respondeu e, então, quando estavam do outro lado do pórtico, elogiou-a: — Você está linda, Luinha.
— Obrigada.
— O que está acontecendo?
Ela engoliu em seco.
— Eu queria ficar bonita para o casamento.
— Você já era bonita. Antes... — Ele apontou para o cabelo, maquiagem e vestido.
O coração dela se apertou diante da maneira como o irmão a olhou, como se fosse uma menininha a quem ele precisasse proteger. Será que ele não via? Era exatamente por essa razão que ela precisava fazer isso. Assim, todos parariam de pensar nela como a doce e meiga Boazinha.
Mas Chay não percebia, nenhum de seus irmãos percebia que, cada vez mais, alimentavam a decisão dela.
Uma parte dela queria desesperadamente confiar em Chay, amparar-se nos braços fortes do irmão mais velho. Mas sabia que era melhor não. Se lhe contasse o que estava fazendo, ele provavelmente a trancaria na casa de hóspedes até o casamento terminar.
— Vou entrar no corredor de braços dados com um astro de cinema — ela forçou-se  a dizer. — Quem sabe onde essa foto vai parar?
Infelizmente, Chay não chegou nem perto de morder a isca.
— E desde quando você liga para essas coisas?
Desde nunca, mas isso era outra coisa.
Ela inclinou-se para frente e envolveu-os nos braços.
— Estou tão feliz por estar aqui. Estava com saudades de você.
Sentiu o beijo dele em sua testa. Desde os 2 anos de idade, ela nunca tivera um pai, mas nunca sentira um vazio. Não, pois sempre fora envolvida por tanto amor, com Chay e Marcus e Chase para abraçá-la, com Micael e Ryan para pegar no pé dela, com Gabe e Mel para brincar e brigar com ela.
— Também senti saudade de você, Boazinha. — Ele afastou-se para olhá-la novamente. Ela se perguntava por que não ficava brava quando Chay usava seu apelido, mas queria acabar com Arthur quando ele o dizia. — Acho que não esperava voltar da Austrália e ver que você tinha mudado.
— Ainda sou a mesma — ela insistiu com uma voz suave.
A verdade, porém, era que mal havia passado uma hora de sua “transformação” e as coisas já estavam diferentes. Para começar, nunca tivera conversas como essa com nenhum de seus irmãos. E, ainda que não estivesse completamente segura se algum dia usaria esse visual de novo, apesar de seus receios em se fazer de boba em um vestido elegante e saltos altíssimos, havia uma parte dela que gostava da mudança. Que porcaria! Até mesmo a garçonete de seu restaurante tailandês favorito tinha perguntado da última vez que estivera lá: “Vai pedir o de sempre?”.
Lua, de repente, deu-se conta de que estava enredada em uma armadilha. Uma armadilha boa e gostosa.
Os passos na direção deles fizeram Chay e ela se separarem, e o irmão arrumou-lhe o cabelo de volta no lugar.
— Você realmente está linda, Lu. Diferente, mas estonteante.
Dessa vez, só havia orgulho nos olhos dele. E quando os dois obedeceram Às instruções de Ellen para seguir Marcus e Mel pelo corredor através das vinhas até o caminho enfeitado com rosas, Lua não precisou fingir seu sorriso radiante.
Preparem-se, ela pensou, Lua Blanco está prestes a soltar as asas.
E, se desse tudo certo, Arthur Aguiar não faria ideia do que o teria atingido.

...CONTINUA!...

Hey, girls!
Quero só ver a reação do Aguiar quando vê-la.
u.u
Querem o beijo deles logo? *-*

5 comentários:

  1. Perfect! posta ++! PF POSTA MAIS 1 CAPÍTULO DE "June 15th".

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  2. Acho que beijo? Na hora certa. Já to imaginando a cara do Arthur quando ver ela :P

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